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Novo Desenrola Brasil pressiona empresas a rever crédito e cobrança em cenário de inadimplência elevada

Programa reacende liquidez no curto prazo, mas exige cautela na concessão de crédito e reforça o papel estratégico da contabilidade

O Governo Federal lançou, em 4 de maio de 2026, o Novo Desenrola Brasil, iniciativa que retoma a estratégia de renegociação de dívidas com foco na recuperação financeira de famílias, estudantes e pequenos negócios. A proposta prevê descontos de até 90%, juros limitados e parcelamentos mais longos – um movimento que tende a gerar impacto direto no fluxo de caixa das empresas e na dinâmica de concessão de crédito no país.

Embora o programa tenha como principal objetivo reduzir a inadimplência e estimular a reentrada de consumidores no mercado, o efeito para o setor produtivo vai além do alívio imediato. Ao viabilizar a regularização de dívidas financeiras, a medida pode destravar consumo no curto prazo, mas também exige uma leitura mais cuidadosa sobre risco, precificação e sustentabilidade das operações de crédito.

Reentrada do consumidor no mercado exige revisão de estratégias

A expectativa é que a renegociação amplie a capacidade de pagamento de parte da população, o que pode refletir positivamente no varejo e nos serviços. No entanto, esse movimento não ocorre de forma linear. Empresas precisam considerar que a reorganização financeira do consumidor tende a priorizar compromissos essenciais, o que pode postergar a retomada de consumo em alguns segmentos.

Nesse contexto, políticas de crédito mais assertivas ganham protagonismo. A tendência é de maior seletividade na concessão, com análise mais rigorosa de perfil, histórico e capacidade real de pagamento. A lógica é evitar a reincidência da inadimplência, que pressiona margens e compromete previsibilidade financeira.

Contabilidade assume papel central na gestão de risco

Para as empresas, especialmente as de pequeno e médio porte, o momento reforça a importância de uma gestão contábil estratégica. Mais do que registrar operações, o contador passa a atuar como peça-chave na leitura de indicadores de inadimplência, definição de políticas de cobrança e estruturação de fluxos financeiros mais resilientes.

A reorganização de carteiras de clientes, a revisão de provisões para perdas e a adequação de prazos de recebimento são medidas que ganham relevância diante de um ambiente ainda marcado por elevada pressão financeira sobre o consumidor.

Além disso, o acompanhamento próximo de programas como o Desenrola permite identificar oportunidades de recuperação de crédito, sobretudo em carteiras que estavam há mais tempo deterioradas.

Alívio de curto prazo não elimina desafios estruturais

Apesar do potencial de reativação econômica, o Novo Desenrola Brasil não resolve, por si só, os fatores estruturais que sustentam a inadimplência no país. Dados da Serasa mostram que o Brasil reúne mais de 82 milhões de consumidores inadimplentes, com uma média de múltiplas dívidas por pessoa e forte concentração no setor financeiro. O cenário evidencia que o endividamento não é pontual, mas recorrente e distribuído em diferentes modalidades de crédito.

Ainda segundo a Serasa, o cartão de crédito, o empréstimo pessoal e o cheque especial seguem entre os principais vetores da inadimplência, muitas vezes utilizados para cobrir despesas básicas. Esse comportamento indica uma fragilidade persistente na renda das famílias e reforça o risco de reendividamento, mesmo após programas de renegociação.

Para o ambiente de negócios, isso significa que o ciclo de recuperação tende a ser parcial e temporário. Sem avanços consistentes em educação financeira e maior equilíbrio entre concessão de crédito e capacidade de pagamento, a inadimplência tende a se manter elevada. Nesse contexto, empresas precisam combinar oportunidade de recuperação com prudência, ajustando políticas de crédito, revisando riscos e fortalecendo a gestão financeira para evitar novas ondas de inadimplência.